14 de set de 2011

Ética e Comunicação Internacional

Via Semana Ética

O Rotary Internacional é uma organização que merece destaque em todo o mundo por sua grande capacidade em enfrentar desafios e superá-los com bastante sucesso. É o que temos visto ao longo de muitas décadas de luta intensa contra a Pólio: atualmente, podemos considerá-la quase erradicada em todos os países (graças à utilização da vacina Sabin), e nossas crianças podem crescer tranquilamente. Mas há ainda uma síndrome que ameaça não só as crianças, mas principalmente nós, adultos, e que persiste há muitos séculos, sem uma cura definitiva. Pudemos acompanhar a tentativa de grandes governos e impérios na busca por também erradicá-la da face da Terra. No entanto, é de se lamentar que ainda não tenhamos presenciado uma melhora significativa da saúde pública nesse sentido. Mas do que se trata essa síndrome? Para exemplificá-la, permita-me recorrer a uma história que poderá contextualizar o problema.

“Dois viajantes, montados em asnos, se encontraram no alto de uma montanha, onde eles tiveram que passar a noite. Os homens, que eram de línguas diferentes, não conseguiram se compreender, mas os asnos puderam se compreender perfeitamente. Conclusão: asnos são animais inteligentes. Mas os seres humanos? Eles precisam de uma língua internacional”.

Tanto no Rotary Internacional, quanto na ONU ou na União Europeia podemos encontrar exemplos de pessoas que sofrem o problema que alguns já denominam “Síndrome de Babel”. Ao longo dos séculos, e inclusive atualmente, nós insistimos em usar a vacina de um povo (uma língua nacional, como já foi o grego, o latim, o francês, e, atualmente, é o inglês) para todos os povos, mas com resultados surpreendentemente ruins para muitos dos envolvidos. Mas existe uma vacina melhor para essa síndrome? Até que ponto é ético utilizarmos vacinas nacionais na erradicação da Síndrome de Babel?

Apenas para sermos objetivos, existe, sim, uma vacina melhor do que a que insistimos em utilizar, mas essa vacina, por interesses de alguns governos e impérios, tornou-se ao longo do século XX um tabu. E o nome desta vacina é Língua Internacional Esperanto.

Eu convido você para uma reflexão sobre essa proposta baseando-nos na Prova Quádrupla do Rotary Internacional, e, acima de tudo, pensando que a Ética, como um princípio que não pode ter fim, também não pode encontrar barreiras [nem imposições] linguísticas. A partir dos exemplos em Rotary, procure refletir sobre os exemplos também estendidos à União Europeia e à ONU.

1. É a VERDADE?

Aqui nós devemos buscar a verdade sob dois pontos-de-vista.
Primeiro, realmente existe um problema linguístico?
Segundo, o esperanto é uma boa solução?

O problema linguístico, segundo o ponto-de-vista geral, é evidente, pois nem todo rotariano pode se comunicar usando sua língua nacional em qualquer lugar e quando quiser. Além disso, a solução pela interpretação simultânea não é somente cara, mas também impossibilita a pluralidade linguística de todos os rotarianos e, principalmente, dos dirigentes. A diversidade das línguas representa uma barreira para uma boa comunicação.

O problema linguístico, segundo o ponto-de-vista individual, é também evidente, pois nem todo rotariano é capaz ou tem a oportunidade de ser poliglota. Uma minoria tem a chance ou a coragem de aprender uma ou várias línguas estrangeiras, mas isso não solucionará o problema.

2. É JUSTO para TODOS os interessados?

A partir do momento que devemos empregar o mesmo esforço na aprendizagem de uma mesma língua neutra, como é o esperanto, a fim de nos comunicarmos no mesmo pé de igualdade, nós nos engajamos juntos num mesmo caminho que respeita os direitos e os deveres de cada um. O que acontece hoje em dia é a imposição de uma língua (que pertence, portanto, a um pequeno grupo de interessados), estando esse sistema longe do que é JUSTO para TODOS aqueles que precisam se comunicar internacionalmente. A adoção do esperanto como língua-ponte, dada a sua neutralidade – porque é uma língua que não pertence a nenhum povo oficialmente, pertencendo a todos os povos ao mesmo tempo – é um claro sinal de respeito às diferenças e postura ética em relação ao tema.

3. Criará BOA VONTADE e MELHORES AMIZADES?

A boa vontade de fato já começa a crescer a partir da escolha de uma língua comum neutra, e realizar os mesmos esforços para uma melhor comunicação só poderá criar melhores relações sociais.

4. Será BENÉFICO para TODOS os interessados?

Para os falantes de apenas um língua será uma boa ocasião para aprender uma língua fácil, e, além disso, o esperanto representa uma janela para as outras línguas nacionais. Certamente, os anglófonos monolíngues deverão abrir mão de suas vantagens (para ser o melhor para TODOS os interessados). Entretanto, eles abandonarão sua posição hegemônica, mas encontrarão uma grande abertura para as outras culturas e o reconhecimento por parte de todos os povos. Além disso, nós, ocidentais, teremos a chance de conhecermos melhor o pensamento oriental, porque o esperanto, hoje em dia, cresce vertiginosamente na China, com jornais locais diários sendo editados nessa língua.

Conclusão:

A proposta de introduzir progressivamente o esperanto faz muitos darem risada, provavelmente por falta de informação. Por que rejeitar uma proposta que responde ao critério da Prova Quádrupla? De forma prática, nós precisamos de uma língua comum, que também corresponda às exigências das três últimas perguntas, isto é, neutralidade para ser justa, facilidade para facilitar a boa vontade, e boa qualidade para favorecer os intercâmbios. Atualmente, o único candidato a esse posto é o esperanto, pois ele protege os valores de todas as outras línguas, é mais fácil de ser aprendido, além de ser uma língua que custa menos e tem uma excelente qualidade. A comunicação internacional será totalmente ética quando levarmos em consideração os interesses de todos os envolvidos, não apenas daqueles que insistem em impor a língua de um povo ou de alguns povos, um sistema que exclui, um sistema, portanto, anti-ético.

Joseph Van der Vleugel
Presidente do RADE – Rotaria Amikaro de Esperanto
(Grupo de Companheirismo dos Rotarianos Esperantistas) Gestão 2011-2014,
e membro do RC Spa-Francorchamps-Stavelot, D. 1630, Bélgica
www.radesperanto.org
*artigo escrito orginalmente em esperanto e traduzido para o português por Leandro Freitas.
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